Fui a Lisboa pela manhã, de combóio, porque a ida ao Bairro Alto é bem mais cómoda feita de transporte público do que levar a viatura e depois não ter lugar para estacionar. Continuo com esta imensa mágoa de ver toda a paisagem desde a Amadora até ao Rossio, desrespeitada por meia-dúzia de riscadores de paredes que em toda a extensão de muros e paredões inscrevem nomes, siglas e pseudo pinturas que nada tem a ver com os verdadeiros grafittis. A cidade está velha, as casas, velhas também, suportam o desvario desta "gente" que ao abrigo da noite desfiguram um bairro que tem o seu encanto. Percorri de táxi desde o Rossio até ao Saint Louis Hospital, passando pela av. da Liberdade, pela praça da Alegria, rua do Século e travessa dos Inglesinhos. À volta desci a pé a Rua Luz Soriano, até ao Camões e depois pela rua do Carmo fui apanhar o combóio à estação do Rossio. Está velha a cidade. E suja.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
LISBOA OCIDENTAL
Há dias resolvi, e porque tinha de resolver uns
quantos assuntos, ir a Lisboa pelo que apanhei o metro na Amadora Este
até ao Cais do Sodré. Ainda não percebi porque é que a nova extensão da
linha do metro vai à Reboleira, ao hospital de St.António, à porta da
Academia Militar e depois ao Hospital Amadora-Sintra sem passar
verdadeiramente pelo centro da cidade. Deve ser a única cidade do mundo
onde o metro não tem estação no centro. Mas enfim, estamos já habituados
a este tipo de actuações. A parte ribeirinha da cidade de Lisboa mete
pena, desde o Cais do Sodré à rua da Boavista, à rua de S.Paulo tudo é
triste, desarranjado, para não dizer porco. Fui pelo largo do Corpo
Santo, percorri a rua da Alfândega e o cenário é o mesmo. O Terreiro do
Paço está um nojo e percorrendo a baixa de lojas fechadas e as abertas,
vazias de público, as casas a cair, desabitadas. Um comércio precário,
um povo de passagem, uma cidade a morrer. Bem pregam estes politicotes
de ocasião, as virtudes do voto em si (neles). Os prédios vão ficando
velhos e vazios, as lojas sem clientes e antiquadas, as ruas
esburacadas, convivem naquele "cemitério" citadino até ao enterro final.
terça-feira, 8 de maio de 2012
DIA DA MÃE
Quiseram os filhos no Domingo homenagear as mães. Nada melhor que um almoço fora de portas para o evento. Estrada fora, pelas 12 horas rumámos pela IC 19 até Sintra. Até aqui o passeio tem tudo igual como noutros domingos, quando nos lembramos dos travesseiros do "Preto" ou da "Periquita". O diferente está a seguir quando chegamos a Sintra e começamos a descer para a Praia das maçãs, pela serpenteante estrada que irrompe da serra. Acompanha-nos na viagem, os carris de ferro, que de verão levam os eléctricos até à praia. A viagem até Almoçageme, onde é o almoço, homenageia a mãe, e ao mesmo tempo é uma viagem ao meu passado, porque muitas das minhas férias de verão foram passadas por aqui. Passar por Colares, chegar ao Banzão paredes meias com a praia, sentir o cheiro do pinhal, depois seguir em frente, subindo um pouco a serra até chegar a Almoçageme. Uma viagem curta, mas cheia de recordações. Ir à praia das maçãs uma vez por ano, sentir a maresia junto às arribas, almoçar junto à praia e depois mergulhar os pés no areal, relembrando o passado é um ménu que desta vez não aconteceu, estive ali bem perto, mas o destino era outro. Fiquei com água na boca, mas neste verão matarei a minha sede.
sábado, 5 de maio de 2012
CUIMBA
Foi aqui nesta pequena aldeola que
vivemos ano e meio. Um aquartelamento sem grades, sem redes, sem
fronteiras. Três ou quatro casas coloniais, uns quantos barracões de
chapa zincada e o capim por vedação. O mato por ali era mato. Ao longe a
serra da Canda como cenário. A avenida da Liberdade atravessava o
aquartelamento, com o seu pavimento de areia avermelhada, começando no
términus da picada que vinha de S.Salvador e terminando na picada que
seguia para Coma e Luvaca, poisos dos aquartelamentos que albergavam
outros militares, outras companhias. Mais tarde o nosso batalhão
construiu um aldeamento para os nativos. Hoje Cuimba está diferente, é
uma vila com milhares de habitantes, vindos do Congo e de outra regiões,
fugidos da guerra fraticida que se estabeleceu. Aquelas casas coloniais
estão hoje destruídas e milhares de cubatas invadiram Cuimba. Espero
publicar em breve imagens do google terra que permitem ver a realidade
desta terra do norte de Angola.
CUIMBA
Recordar Cuimba é recordar "a viagem" ! A partida de Lisboa, o barco, o oceano, a chegada a Luanda, o Grafanil, as berliets e o desbravar das picadas a transbordar de capim. É recordar Ambriz, Ambrizete, Tomboco e São salvador.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
FEIRA DA LADRA
Hoje
fui à feira da ladra! há quanto tempo não percorria os caminhos que vão
dar a esta tradicional feira lisboeta. As ruas pejadas de gente, os
feirantes espalhados por todos os espaços imaginários, as bancadas com
todas as "velharias" desordenadas pelas bancas, o chão de lençóis
atapetado, cobertos de artigos novos e velhos, são o chamariz para quem
procura a "tal" peça a preços irrisórios. A feira da ladra continua
igual a si mesma. Notting hill é uma feira em Londres mas de uma só rua.
A feira da ladra é uma feira de todos os espaços. Inigualável!
Feira da Ladra |
CRÓNICAS DE VIAGENS
Ao escrever alguns textos sobre as minhas viagens e mostrar fotos dos locais por onde passei, não o farei por alguma ordem, tanto falarei de deslocações recentes como das mais remotas. Não estranhem por isso que vá da Praia das Maçãs, a Angola ou de Sesimbra a Marrocos. Viajei muito pouco, muito por culpa do meu "não gostar de aviões" mas ainda assim conheço muita vila e cidade bem como alguns países.
Ao escrever alguns textos sobre as minhas viagens e mostrar fotos dos locais por onde passei, não o farei por alguma ordem, tanto falarei de deslocações recentes como das mais remotas. Não estranhem por isso que vá da Praia das Maçãs, a Angola ou de Sesimbra a Marrocos. Viajei muito pouco, muito por culpa do meu "não gostar de aviões" mas ainda assim conheço muita vila e cidade bem como alguns países.
terça-feira, 1 de maio de 2012
LISBOA-1
Das muralhas junto ao rio da vila do Seixal, bem pertinho da escola, via-se ao longe a silhueta da capital. Lisboa era um sonho, como seria? teria muitas casas? e as ruas, eram muitas? Não tinha imaginação para tanto. Mas o sonho realizou-se, e esta foto, onde estão o meu tio, o meu irmão Carlos Alberto, eu e o meu pai, regista o evento. Em que ano, aonde, e porquê, já não sei. Talvez a Belém ver o Belenenses, clube a que meu tio e meu pai eram associados e onde eu mais tarde fui várias vezes ver o célebre Matateu e companhia ao velhinho campo das Salésias e depois ao novo estádio do Restelo.
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