segunda-feira, 28 de maio de 2012

BAIRRO ALTO

Fui a Lisboa pela manhã, de combóio, porque a ida ao Bairro Alto é bem mais cómoda feita de transporte público do que levar a viatura e depois não ter lugar para estacionar. Continuo com esta imensa mágoa de ver toda a paisagem desde a Amadora até ao Rossio, desrespeitada por meia-dúzia de riscadores de paredes que em toda a extensão de muros e paredões inscrevem nomes, siglas e pseudo pinturas que nada tem a ver com os verdadeiros grafittis. A cidade está velha, as casas, velhas também, suportam o desvario desta "gente" que ao abrigo da noite desfiguram um bairro que tem o seu encanto. Percorri de táxi desde o Rossio até ao Saint Louis Hospital, passando pela av. da Liberdade, pela praça da Alegria, rua do Século e travessa dos Inglesinhos. À volta desci a pé a Rua Luz Soriano, até ao Camões e depois pela rua do Carmo fui apanhar o combóio à estação do Rossio. Está velha a cidade. E suja.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

LISBOA OCIDENTAL

Há dias resolvi, e porque tinha de resolver uns quantos assuntos, ir a Lisboa pelo que apanhei o metro na Amadora Este até ao Cais do Sodré. Ainda não percebi porque é que a nova extensão da linha do metro vai à Reboleira, ao hospital de St.António, à porta da Academia Militar e depois ao Hospital Amadora-Sintra sem passar verdadeiramente pelo centro da cidade. Deve ser a única cidade do mundo onde o metro não tem estação no centro. Mas enfim, estamos já habituados a este tipo de actuações. A parte ribeirinha da cidade de Lisboa mete pena, desde o Cais do Sodré à rua da Boavista, à rua de S.Paulo tudo é triste, desarranjado, para não dizer porco. Fui pelo largo do Corpo Santo, percorri a rua da Alfândega e o cenário é o mesmo. O Terreiro do Paço está um nojo e percorrendo a baixa de lojas fechadas e as abertas, vazias de público, as casas a cair, desabitadas. Um comércio precário, um povo de passagem, uma cidade a morrer. Bem pregam estes politicotes de ocasião, as virtudes do voto em si (neles). Os prédios vão ficando velhos e vazios, as lojas sem clientes e antiquadas, as ruas esburacadas, convivem naquele "cemitério" citadino até ao enterro final.

terça-feira, 8 de maio de 2012

DIA DA MÃE


Quiseram os filhos no Domingo homenagear as mães. Nada melhor que um almoço fora de portas para o evento. Estrada fora, pelas 12 horas rumámos pela IC 19 até Sintra. Até aqui o passeio tem tudo igual como noutros domingos, quando nos lembramos dos travesseiros do "Preto" ou da "Periquita". O diferente está a seguir quando chegamos a Sintra e começamos a descer para a Praia das maçãs, pela serpenteante estrada que irrompe da serra. Acompanha-nos na viagem, os carris de ferro, que de verão levam os eléctricos até à praia.  A viagem até Almoçageme, onde é o almoço, homenageia a mãe, e ao mesmo tempo é uma viagem ao meu passado, porque muitas das minhas férias de verão foram passadas por aqui. Passar por Colares, chegar ao Banzão paredes meias  com a praia, sentir o cheiro do pinhal, depois seguir em frente, subindo um pouco a serra até chegar a Almoçageme. Uma viagem curta, mas cheia de recordações. Ir à praia das maçãs uma vez por ano, sentir a maresia junto às arribas, almoçar junto à praia e depois mergulhar os pés no areal, relembrando o passado é um ménu que desta vez não aconteceu, estive ali bem perto, mas o destino era outro. Fiquei com água na boca, mas neste verão matarei a minha sede.

sábado, 5 de maio de 2012

CUIMBA

Foi aqui nesta pequena aldeola que vivemos ano e meio. Um aquartelamento sem grades, sem redes, sem fronteiras. Três ou quatro casas coloniais, uns quantos barracões de chapa zincada e o capim por vedação. O mato por ali era mato. Ao longe a serra da Canda como cenário. A avenida da Liberdade atravessava o aquartelamento, com o seu pavimento de areia avermelhada, começando no términus da picada que vinha de S.Salvador e terminando na picada que seguia para Coma e Luvaca, poisos dos aquartelamentos que albergavam outros militares, outras companhias. Mais tarde o nosso batalhão construiu um aldeamento para os nativos. Hoje Cuimba está diferente, é uma vila com milhares de habitantes, vindos do Congo e de outra regiões, fugidos da guerra fraticida que se estabeleceu. Aquelas casas coloniais estão hoje destruídas e milhares de cubatas invadiram Cuimba. Espero publicar em breve imagens do google terra que permitem ver a realidade desta terra do norte de Angola.
 
 
CUIMBA

Recordar Cuimba é recordar "a viagem" ! A partida de Lisboa, o barco, o oceano, a chegada a Luanda, o Grafanil, as berliets e o desbravar das picadas a transbordar de capim. É recordar Ambriz, Ambrizete, Tomboco e São salvador.
 
 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

FEIRA DA LADRA

Hoje fui à feira da ladra! há quanto tempo não percorria os caminhos que vão dar a esta tradicional feira lisboeta. As ruas pejadas de gente, os feirantes espalhados por todos os espaços imaginários, as bancadas com todas as "velharias" desordenadas pelas bancas, o chão de lençóis atapetado, cobertos de artigos novos e velhos, são o chamariz para quem procura a "tal" peça a preços irrisórios. A feira da ladra continua igual a si mesma. Notting hill é uma feira em Londres mas de uma só rua. A feira da ladra é uma feira de todos os espaços. Inigualável!





Feira da Ladra
CRÓNICAS DE VIAGENS

Ao escrever alguns textos sobre as minhas viagens e mostrar fotos dos locais por onde passei, não o farei por alguma ordem, tanto falarei de deslocações recentes como das mais remotas. Não estranhem por isso que vá da Praia das Maçãs, a Angola ou de Sesimbra a Marrocos. Viajei muito pouco, muito por culpa do meu "não gostar de aviões" mas ainda assim conheço muita vila e cidade bem como alguns países. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

LISBOA-1

Das muralhas junto ao rio da vila do Seixal, bem pertinho da escola, via-se ao longe a silhueta da capital. Lisboa era um sonho, como seria? teria muitas casas? e as ruas, eram muitas? Não tinha imaginação para tanto. Mas o sonho realizou-se, e esta foto, onde estão o meu tio, o meu irmão Carlos Alberto, eu e o meu pai, regista o evento. Em que ano, aonde, e porquê, já não sei. Talvez a Belém ver o Belenenses, clube a que meu tio e meu pai eram associados e onde eu mais tarde fui várias vezes ver o célebre Matateu e companhia ao velhinho campo das Salésias e depois ao novo estádio do Restelo.